quinta-feira, abril 14, 2005

A moça que tropica

Tenho uma sandalinha de couro marrom da qual gosto muito. Não, tempo verbal errado. Tinha uma sandalinha de couro marrom da qual gostava muito. Também não, porque ainda a tenho, ela apenas não se presta mais às suas funções iniciais.
Enfim, o que acontece é que, caminhando quase que tranqüilamente pelo meu município, levei um belíssimo tropeção, em verdade, dei uma torcida no pé que fez com que a correia de minha sandália se soltasse da sola. Como sou uma mulher muito esperta e adepta dos processos de reciclagem, considerei que poderia prender a correia por baixo da sola, dar uma gotinhazinha de nada de Super Bonder e continuar usando-a porque, com a fivelinha presa ao calcanhar, conseguia caminhar com considerável desenvoltura.
O que não contava era que, já em São Paulo, iria tropeçar de novo. Só que, desta feita, ao invés de soltar a correia de debaixo do solado, consegui partir o solado ao meio.
Agora estou aqui, dividindo minha angústia e chateação com vocês e só pensando se conseguirei chegar “calçada” ainda em Mogi, afinal, são 63 km.
Que o anjo protetor das tropeçadeiras me proteja, que eu mereço.

quinta-feira, abril 07, 2005

Miopia

Estive eu a pensar na diversão de se ser míope.
Sim, porque excetuando-se alguns inconvenientes óbvios, até que é bem divertido não enxergar direito. A gente “vê” coisas que mais ninguém consegue.
Só é ruim quando encontramos pessoas que prazerosamente, tudo me leva a crer, destroem a poesia do não-ver com suas concretizações. Uma vez, por exemplo, saí do banheiro do bar da Gi e da Fabinha Querida toda feliz, dando rodopios e balançando os braços, dizendo “Nossa, que legal. Tem uma borboleta preta no banheiro que ficou o maior tempão olhando pra mim, muito tranqüila. Acho que terei sorte.”. Giovana, como sempre, exercitando o desagrado, arruína minha alegria pueril dizendo (entre risos): “Não é uma borboleta, é um pedaço de saco de lixo.” Eu acho que, sinceramente, não precisava dessa informação.
Estou pensando nessas coisas porque via do outro lado da Av. Paulista umas coisas amarelas penduradas num muro e sempre estive certa de que se tratavam de cachos de banana nanica. Aí hoje precisei caminhar do outro lado e, sem querer, acabei descobrindo que são só umas coisinhas amarelas com números, imagino eu que pra colocar sobre os carros a fim de se facilitar a vida dos manobristas. Não fiquei tão decepcionada como quando do episódio da borboleta (inda mais que a culpa, nesse caso, foi minha) mas penso que a Paulista ficaria muito mais humanizada com bananas penduras nas portarias dos prédios.
Comumente confundo hidrantes com anões. E sacos de lixo (esses cheios), com cachorros e gatos, dependendo de quantos litros o saco seja.
Agora a coisa mais legal, mais mágica, supimpa mesmo, de se ver quando se é míope são as luzes. Elas não ficam só luzes assim concentradas como vocês todos – os de boa visão – as vêem. Elas se espalham, formando grandes círculos iluminados. Quando são coloridas então... Por isso mesmo é que uma das coisas de que mais gosto nessa vida é de pisca-pisca. Por mim, decoração de Natal seria o ano todo. Tudo muito feliz e colorido e piscante. Sou capaz de ficar horas diante de uma árvore. Uma vez, fiquei tão deslumbrada com um que ficava numa sobreloja que tropecei, caí e dei com a cabeça na porta de uma peixaria.
Mas isso não vem ao caso. É, não vem não.

quinta-feira, março 31, 2005

Dêem uma olhada aqui Cinco Contra Um.
Blog novo, coletivo (adoro blogs coletivos), muito bom.
Tem texto meu também como convidada da semana.

terça-feira, março 15, 2005

Crônicas do Caminhar (ou coisas para se pensar quando se é obrigada a andar)

Final de tarde, horário de verão. Estava indo pro trabalho atrasadíssima, pra variar, rogando a deus que me enviasse um ônibus para que se simplificasse um pouco a minha via crucis.
Nisso, passa o meu ônibus preferido, o mais-que-perfeito do transporte coletivo... duas quadras de onde eu estava. Procurei então explicar de novo pra deus, bonitinho, que o veículo deveria estar chegando ao ponto pelo menos junto comigo, senão não adiantaria muito, etc e tal. Estou quase chegando na esquina do ponto, ouço um roncar de motor. Felicidade, expectativa... é ele?!?!?! Paro na esquina, olho; o ônibus lá no semáforo, paradinho, me esperando chegar. Seu ponto final: em frente ao meu trabalho. Só um pequeno detalhe me atrapalharia a felicidade: não aceitava os meus passes.
Vou eu de novo explicar pra deus a diferença entre municipal e intermunicipal, diferenças monetárias, vale-transporte e adjacências, com a maior paciência, tudo muito rico em detalhes, coisa e tal, que era pra ele entender bem do direitinho.
Outro ônibus vira a esquina: “Ah, aprende rápido, heim nego?”
Era o mesmo. Que o outro. O que não aceitava o meu passe. Toda a minha categórica explicação ignorada, lançada às traças celestes.
Aí comecei a xingar, lógico. Que aquilo não se fazia. Que eu não era lá muito devota mesmo mas aquilo também já era demais. Ofendi. Ah, falei mesmo. Falei que pra mim ele não passava de... de um alter ego mal resolvido. Falei que ele não passava de muleta da humanidade.
Puxa, eu PEDI, eu EXPLIQUEI, para que não houvessem duvidas a respeito das minhas preces. E o que “Ele” fazia? Tirava uma onda com a minha cara.
Agora, isso também não poderia ficar assim, porque eu queria, na verdade, eu
EXIGIA um ressarcimento daquele ultraje a que ele havia me feito passar.
Bom, está certo que eu até que estava tendo uma semana muito boa, havia conseguido algumas coisas que de há muito estava querendo, mas não era justo. Sei lá, queria qualquer coisa, ver uma pessoa bonita, uma coxinha com catupiry de verdade, ele que se virasse.
A esta altura do campeonato, no auge das minhas reinvidicações, após ter desistido, inclusive, de tomar um ônibus, passo pela praça. Praça... árvores...é, pois é isso mesmo. Pluft! Bem na minha cabeça. “Oh ira negra que me consome!!”.
Mas seria ou não seria? E a coragem de conferir? Claro, com o senso de humor que o cara tinha, boa coisa é que não poderia ser. Se fosse aquilo, eu iria ficar com a mão toda suja e nojenta, o que só iria piorar a minhas situação. Bom, poderia ser uma frutinha, uma semente meio pesada, sejamos plausíveis.
Andei vários metros com aquela coisa não identificada nos cabelos até que o pânico me dominou: e se fosse... um bicho? Lá, grudado nos meus cabelos, tão perto de mim... Arph!!! Aquela palhaçada já havia ultrapassado todos os limites.
Dei um tapa no cabelo. Senti. Não era aquilo. Menos mal. Mas poderia ter sido um bicho, ah, poderia.
Quase podia ouvir as Suas gargalhadas, divertido que era aquilo tudo.
Estava quase me empolgando e começando a xingar de novo mas considerei ser mais razoável ficar quieta já que Alguém tem uma personalidade que não prima exatamente pelo bom senso.
Depois, ainda reclama que os homens estão perdendo a fé.
Faça-me o favor...

quarta-feira, março 09, 2005

Os Grandiloqüentes Também Amam - capítulo II

OS GRANDILOQÜENTES TAMBÉM AMAM
Una novela de Andréa Muroni e Julio Castro
Participação especial de Marpessa de Castro

No capítulo anterior, Soraya Guadalupe ria misteriosamente, enquanto Carmelita Augusta e Pablo Roberto se desentendiam mais una vez.
Carmelita Augusta, indignada, com os lábios trêmulos, chorosa, mas sem borrar a maquiagem, corre atrás de Pablo Roberto, que se volta, em close.

Carmelita Augusta: Quer dizer então que o senhor acha que yo devo me atualizar no que concerne à la cultura mexicana? Há, Há, Há, Há, Há de novo. Além de torpe, o senhor es demodé. Chispita e Os Ricos tbém Choram estão más do que ultrapassados. Jamás ouviste falar em Beth, a Feia? O em Pedro, lo Escamoso? O, ainda en lo ar, Alegrifes e Rabujos? Atualize-se o senhor, senhor Pablo Roberto. El dia em que, caso os anjos digam amém e iluminem su desditoso caminho, o senhor tiver la grandissíssima honra de confabular novamente com el adorável e belo ser que soy, terá a oportunidade de ver que paira alreredor de mi, la aura magnífica de Guadalajara. Inclusive, pretendo tentar la vida em Puebla ou em Cuernavaca como roteirista. E yo posso saber pq o senhor liga para mim e fala com Fabrícia? Humpf digo yo.

Pablo Roberto: Pudera, Senhora Carmelita Augusta Muroñi, espantar-se com el fatídico gosto no que se refere a cultura pós-moderna e underground mexicana...Las 'pérolas' que descrevestes em su tão erudita confabulación, no passam de meras obras superficiales e 'tennager' para adolescentes sexualmente desafortunadas. Yo esperava mais de usted. Afinal, una senhora que em primeiro momento se apresenta tão nobre e retentora de uno talento verossímil, jamás poderia chamar 'Los Ricos também Choram' de dèmodé y menosprezar la magnífica obra dramática de 'Chispita'. Essas modernidades que acometem la dramaturgia de raíz vindas del México cegaram-na como a milhares de personas. Recuso-me, a partir de ahora, discutir contigo qualquer linha dramática referente à persongem Michelina de la novela 'Jerônimo', las artimanhas idiossincráticas por trás de 'La Cortina de Vidro' e jamé tecerei comentários sobre la metalingüistica empregada em “Mi hijo, mi vida”.
Mas.... (rufam los tambores e lo close fecha, ora em uno, ora em otra)... lanço mão de uno desafio: analise las entrelinhas de la Professora Helena, encontre todas las passagens gnosiológicas e depois venga tentar manter uno diálogo decente comigo!!!! Por hora abro mano de los 'humpfs' já tão clichês em las conversas de nosotros.

Carmelita Augusta, com os ojos rasos d’água, faz no com la cabeça.

Pablo Roberto chega em su casa, bate la puerta, lança-se à cama y deixa cair una lágrima em close enquanto sobe una música latina com a expressão 'mi coracion esta partido' tocada com o violino em escala de lá-mayor.
(continua no próximo capítulo)

domingo, fevereiro 20, 2005

Vou contar uma coisa que pra mim foi realmente traumática.
Estava eu, domingo a tarde, blogando tranquilamente, quando olho para fora do escritório e vejo várias pombas, deveriam ser umas três, placidamente pousadas sobre o murinho da escada.
Fiquei desesperada porque ODEIO pombas e pensei que pudesse estar ocorrendo alguma frente de invasão por parte das mesmas.
Comecei então a gritar por socorro para minha tia que mora aqui atrás. Como sou pessoa infinitamente ingênua, tive esperanças de que pudesse obter ajuda de outrém mas, mais uma vez, a compaixão alheia negou-se a mim.
Pois voltemos aos fatos. Tentei espantar as pombas com gritos e menções à minha falta de amor por elas mas tudo o que consegui foi que elas voassem por todos os lados, adentrando os nossos quartos e pousando em meus tão queridos livros e demais etceteras.
Minha tia então veio ver o que ocorria e me sugeriu subir o vidro da janela do escritório. Ao realizar tal tarefa, entremeada por muitas vociferações, uma delas, em crise histérica, grudou nos meus cabelos o que me fez imediatamente 1) soltar a janela, 2) gritar ainda mais e 3) começar a chorar.
Fiquei abaladíssima, de repente senti-me num remake dOs Pássaros, de Hitchcock, com aquele parasita alado batendo suas asas piolhentas por sobre minhas madeixas.
O auxílio que obtive de minha parenta co-sanguínea foi a título de maior humilhação: ela pediu-me para parar porque estava fazendo xixi nas calças de tanto rir ao que, prostrada, lancei-me ao colchão que me faz as vezes de cama a fim de derramar meu pranto.
As pombas saíram mas passei o resto do dia sentindo que centenas de piolhos passeavam seus germes em mim...

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Estou de luto dos meus sonhos.
Peço licença aos amigos: preciso morrer um pouco pra depois poder nascer de novo.

And

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Impressões sobre a Av. Paulista e imediações

- Quase nunca vejo crianças. Talvez umas três por semana, quando muito. Aqui só tem gente grande, parece;
- Há poucos mendigos pelas ruas; mês passado vi dois dormindo na rua com travesseiros. Sei que a Giovana vai me xingar por isso mas morri de inveja (tanto sono eu tenho...). Tem um que vi duas vezes e que anda com uma gaveta com os seus pertences, incluindo um cobertor. Tem outro que fica na esquina da Maceió com uma placa dizendo que é artista e escreve livros e revistas, pedindo uma ajuda (é uma idéia...). E hoje vi outro que relatarei abaixo;
- NUNCA, mas nunca mesmo, vi um bicho sequer solto na rua. Minha amiga disse que a carrocinha deve passar recolhendo os corpos antes de eu chegar (que maldade). Há apenas alguns donos, mas bem poucos, com cães cheirosos e encoleirados de pet shop. Hoje vi um com um mendigo. Ele estava amarrado com uma corda, sim, uma corda, cheia de nós. Talvez seu nome seja Tiradentes, não sei...
- Não há nenhuma praça onde eu possa me sentar e ler algo tranqüilamente. Pra baixo do final da Angélica há uma rua que faz um balão e tem árvores. Fui passear lá hoje por hora do almoço para arejar minhas confusas idéias e creio ter podido sentir cheiro de frutas.
- Em resumo: por aqui só há prédios, carros, buzinas, fumaça e pessoas apressadas. Muito, muito deprimente para uma pobre poetisa que tanto ama o vento...

sábado, fevereiro 05, 2005

Eu poderia ter morrido.

O Juá, meu namorado, pediu pra eu desligar a caixa de força pra ele poder mexer nuns troços lá em casa. Quando fui ligar de novo, tomei um choque. Na verdade, dois choques. Dois não, três. O primeiro foi o elétrico. O segundo foi quando olhei pra minha mão e vi que ela estava preta. Fiquei tão nervosa, sabem, saí gritando: “Jú, Jú, minha mão tá preta!!!”Assim, depois que olhei direito, vi que só era sujeira, mas e o susto? Uma pessoa não tem mais o direito de se confundir?Acho que era absolutamente plausível que tivesse acontecido pois, todo o mundo sabe que choque preteja, a gente aprende isso desde cedo nos desenhos animados.Daí foi que veio o terceiro choque: meu namorado ficou me tirando, repetindo “Jú, Jú”, com voz de bobeira. Não obtive o apoio dele após um momento de tamanha sofreguidão.Claro que fico um pouco mais tranqüilizada sabendo que era apenas sujeira, mas poderia não ser.Poderia não ser e ninguém iria me consolar...

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

OS GRANDILOQUENTES TAMBÉM AMAM

OS GRANDILOQÜENTES TAMBÉM AMAM
Uma novela de Andréa Muroni e Júlio Castro
Participação especial Marpessa de Castro


No capítulo anterior, Pablo Roberto Caztrió, plantava a semente da discórdia entre as amigas Carmelita Augusta Muroñi e Soraya Guadalupe de Castrón, após Carmelita, num momento de imensa sofreguidão, abrir seu corazón sobre os ciúmes que Soraya, sua amiga quase de infância, andava sentindo.

Pablo Roberto: - Ola amiga Soraya Guadalupe.

Soraya Guadalupe: Ola!

Pablo Roberto: Estive yo a solicitar las ilustres divagações de nossa comum amiga Carmelita Augusta, claro que muy mais sua do que mia, sobre seu ilustre passeio à Bienal de Arte de Guadalajara, quando percebemos que ambos estivemos lá e não vimos nem a metade del negócio!! Grandiloqëntes que somos, exclamamos (crea-me) simultaneamente:- Podemos volver lá qualquer dia desses!!! E pensamos, também simultaneamente (si, eu tengo certeza que pensamos juntos, pena que nosotros não exclamamos para provar):
- A Soraya Guadalupe de Castrón é peça fundamental para tal aventura culturale!!!Sério, acredite!!Portanto, fica el convite! Seria una excelente oportunidade para nos conocermos mejor...Además, fui promovido a Personal-Maniac e así fica a situación mais segura para todos!!!Combinem los detalhes e não fique brava. Yo sempre preferi usted à ela. Você ao menos nunca me passou ninguno trote.(E que isso fique entendido apenas entre nós.)E posso jurar de pé junto que ela nada comentou sobre sua suposta crise de ciúmes!! Palabra!Adyós Soraya Guadalupe de Castrón.

Soraya Guadalupe: Adiós, Pablo Roberto Caztrió

Só que o que Pablo Roberto Caztrió não imaginava, era que Carmelita Augusta Muroñi ouvira toda a sua conversa com Soraya Guadalupe de Castrón. Carmelita surge, por detrás de uma porta, os olhos rasos d´água, as mãos trêmulas, de ombreiras...

Carmelita Augusta: E sempre preferi usted à ela. ????????? E que isso fique entendido apenas entre nosotros ???????????? Faça uno favor, pode me esquecer para todo el siempre.

Pablo Roberto: Oras... seria essa a nossa primeira briga?? Esto tudo es apenas passarinho jornalístico, como diria Mário Prata. Precisamos de unos barulhos de pratos... Algumas ovações lançadas ao arrependimento!!

Carmelita Augusta: Em primeiro lugar, essa no é la nossa primeira briga já que não haverá una segunda. Em segundo lugar, se vossa senhoria quer graça, vá ao circo ou assista ao Chaves, já que es tão fã de la teledramaturgia mexicana. Em terceiro e último lugar, se vossa intenção era me provocar, fique sabendo que el objetivo no foi atingido com sucesso. Não pense que yo esperava algo diferente de uno... maníacozinho.Tengo a dizer que, se tencionava gerar algum tipo de atrito entre Soraya Guadalupe e yo, su tiro saiu pela culatra. Ella, conforme bem sabe, já foi alertada quanto a la torpez de vossa pessoa. Ambas, juntas, já sobrevivemos a la universidade, ressacas, ciúmes e maridos imbeciles. Não es um reles... usted, que irá abalar tão bela, respeitosa y duradoura amistad.No tengo mais absolutamente nada a dizer à vossa vil, sórdida, imoral y indecorosa pessoa. Passe bién Pablo Roberto Caztrió.

Pablo Roberto: No, no, escuta-me. Já que es pra numerar, vambora: Em quarto lugar, yo não soy um 'maniacozinho'. Quantas certezas y quantas verdades verborrajadas nessa información!! O que lhe leva a afirmar tão grave acusação?! Grandiloqüente que soy não admito tal expressão. Maniacozinho, no!!! 'Personal Maniac’ Em quinto lugar... yo nunca intensionei ninguno atrito entre usted e Soraya Guadalupe de Castrón, esta tão tão nobre escritora com um sobrenombre mais nobre ainda! Quem vive lançando-a à berlinda, se no me falha la memória es la senhorita!!!

Carmelita Augusta: Oh!

Pablo Roberto: Si. E más nobre ainda tornou-se agora tal pessoa por ter sobrevivido a universidades, ressacas, ciúmes e maridos imbeciles ao lado de la senhora. No haverá no mundo dengue hemorrágica que a derrube depois dessa!!! Vai para lo céu, a Soraya, sentará ao lado de deus e ainda lhe serão pedidas desculpas por uno coro de anjos regido por nuestra senhora...

Carmelita Augusta: Como ousas?

Pablo Roberto: Cala-te!

Carmelita Augusta arregala os olhos e se encolhe de pavor.

Pablo Roberto: Em sexto lugar, detesto Chaves. No suporto o Chapollim. Prefiro las obras del underground mexicano. Una cosa mais retrô: sou fã de Chispita e colecionar de fotos de los actores de 'Os Ricos Também Choram', além de acompanhar por onde andam todas aquellas meigas criancinhas de lo 'Carrossel'. Por favor, atualize-se, Carmelita Muroñi.E em sétimo e último lugar: vou deixar de ser seu maníaco e me tornar maníaco de la Fabrícia: aquela educada e simpática moça que atende el teléfono todas las vezes que tento falar contigo!!!!! Humpf.

Carmelita Augusta: Oh, no.

Enquanto Pablo Roberto dá as costas para Carmelita Augusta, que queda-se em pranto e sofreguidão, Soraya Guadalupe ri atrás da outra porta.

Soraya Guadalupe: hehehehe Las cosas estão fervendo! Yo até já fui canonizada. hahahahaah!!!!!!Se bem que yo merecia, mesmo, o reconhecimento del Papa. Especialmente por me relacionar tão bién com pessoas estranhas como estos dos. HÁ, HÁ, HÁ, HÁ, HÁ!!!!! Mal posso controlar mi esôfago, de tanto rir.

O que acontecerá agora? Será que Pablo Roberto realmente queria destruir a amizade de Carmelita Augusta e Soraya Guadalupe? Será que Soraya Guadalupe é amiga de Carmelita Augusta, pobrezinha, de verdade? Não percam a resposta para essas perguntas e o espetacular desfecho desta intrigante história de amor e de amizade no próximo post.

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Vida Ferroviária

Hoje não pude me conter e comprei o “Mini Kit Vodu” com 26 agulhas e um passador de linha. Pra dizer a verdade, ainda não sei o que farei com ele porque, apesar de prendada, não costumo costurar muitas coisas.
Mas é legal, tem até uma agulha redonda.
Fiquei pensando no que é que se pode fazer com ela mas essa é uma consideração que acho que é melhor que eu guarde comigo mesma...
Não sei o que acontece entre mim e o tempo: quanto mais cedo eu saio, mais atrasada eu chego...
Aí fica aquela sangria: pega trem, pega outro, pega metrô, desce, sobe, desce, sobe, desce, Andreinha esbaforia, toc toc toc, deixando vários centímetros do salto pela Av. Paulista, toc toc toc.
Ave-Maria,. Assim a pessoa se estressa!

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Estarei eu com mania de perseguição?
Em uma semana: cortaram minha luz; o registro do chuveiro começou a vazar, fui fechar com força, toda nervosinha e dei uma volta de 720º: a torneira espanou e a resistência queimou; minha impressora não estava imprimindo, abri a tampa e algo parecido com uma pecinha importante saiu rolando; meu computador está com Mal de Alzheimer; meu gás acabou, o cifão da minha pia furou, tropecei e arranquei metade da sola da minha bota num dia de chuva enquanto ia trabalhar. Ah, também deu fungo na minha lente de contato.
Será que isso é normal?

sexta-feira, janeiro 14, 2005

Assédio

6h 40 da manhã. A pobre Andreinha sobe a Rua das Casas Iguais, enquanto seu relógio biológico lança claros sinais de desaprovação temporal. À sua frente, um homem leva um poodle para passear. Seguiu seu caminho em direção à estação ferroviária quando percebeu, astuta que é, que o indivíduo lhe lançava lânguidos olhares.
Não, vamos e venhamos, que tipo de pessoa leva um cachorro para passear às SEIS DA MANHÃ e fica paquerando indefesas e sonolentas garotinhas de olhos inchados? Só mesmo esses maníacos (olá Julio) urbanos.
Doente! Tarado doente!

quinta-feira, janeiro 13, 2005

Muito me comovem as coisas que brilham.
Estou trabalhando agora no centro do mundo e, a altura da Consolação por onde passo, tem dezenas de lojas de lustres. Chego a lacrimejar ao ver aqueles, lindos, com pedrinhas de cristal, brilhando com a luz do sol.
Aind vou ter um, mesmo que seja caro, mesmo que fique cafona no meu quarto. Mas vou tê-lo e vou ficar lá, horas olhando pra ele...

segunda-feira, janeiro 03, 2005

Crônica

EXAME DE URINA

Estava na fila de um laboratório para fazer exame de urina. Fila do SUS, gigantesca, lá pelas tantas do meio da rua.
Dentro da bolsa, o pote com seus fluídos corporais habilidosamente protegido por uma sacolinha de supermercado.
Permaneceu ali por longas dezenas de minutos, aguardando a sua vez. A cabeça vagando; ora bobagens, ora estratégias miraculosamente elaboradas visando um atendimento rápido e com a menor margem possível de constrangimento. A fila andando e ela a observar as pessoas, ato seu costumeiro. Sentia um leve divertimento interior ao imaginar que tipo de secreções os outros poderiam estar carregando. Na verdade, por não ter mesmo coisa melhor para pensar e para afastar o mal-humor de ter de ter tido de acordar cedo para ficar esperando, preferia ocupar sua cabeça com futilidades.
Começou, então, a repassar diversas vezes o plano da entrega: aguardar que houvessem apenas duas pessoas à sua frente, retirar o infame conteúdo de sua bolsa, jogar a sacolinha na lixeira à sua esquerda e entregar o pote para a atendente. Tudo cronometrado para ficar o menor tempo possível com o potinho nas mãos, que seria melhor para todos que fosse desse jeito pois que era, digamos assim, uma pessoa propensa a atrair situações inusitadas. Claro que não ousava pensar que fosse desastrada, palavra que não constava em seu vocabulário, pelo menos não para uso próprio. Era, antes, uma perseguida pelo destino. Isso.
Após gastar valiosos minutos na observação do ambiente à sua volta, e cheia das palpitações por não encontrar-se à vontade naquele ambiente, chegou o momento de executar a sua tarefa, aparentemente muito simples.
Retirou o potinho da bolsa, aproximou-se da grande lixeira de tampa basculante posicionada ao lado do bebedouro e percebeu que seus resíduos corporais haviam vazado e que a sacola estava cheia de urina. Irritação!
“Bom”, pensou, “é só tirar a sacolinha molhada dentro da lixeira, pra não vazar tudo, e jogá-la. Simples.”
Partiu para a ação com a delicadeza que seu nojinho exigia. Com a ponta dos dedos, a tampa da lixeira semi-aberta, foi retirando a sacola besuntada de seus líquidos. Acontece que a delicadeza não era um traço exatamente marcante de seu temperamento e... o pior aconteceu: lá se foram, lixeira adentro, a sacola com o potinho junto.
Sentiu o rosto queimar. Pensando, muito do rapidamente, constatou que a lixeira tinha apenas copinhos descartáveis, não havendo, portanto, muitos problemas de ordem higiênica se introduzisse sua mão lá dentro a fim de resgatar aquele infeliz fugitivo.
Foi colocando a mão, o peito aos borbotões. Constatou uma segunda coisa: o potinho cheio, por uma ironia das leis da física, era mais pesado que os copinhos vazios. Começou a praguejar interiormente, o rosto ainda mais quente e, possivelmente, muito vermelho.
Introduziu um pouco mais o braço mas este movimento, aliado à força da gravidade só fez com que o pote adentrasse ainda mais a lixeira. Aí começou mesmo a xingar. Por dentro, todas as imprecações que pôde foram proferidas. Não julgo ser necessário explicitar os vocábulos utilizados, devo apenas dizer que possuía uma certa propensão natural às palavras de baixo calão. O que de mais chulo, em se tratando de impropérios, foi dito naquele momento por ela.
Começou a suar. E a situação se repetindo: quanto mais colocava o braço, mais o potinho descia. E nisso permaneceu até que se encontrou no patético de estar com o braço todo, t o d i n h o, afundado na lixeira. E nem sinal do pote, nem um contato deste com seus dedos.
Quando caiu em si, achou por bem desistir da empreitada, já tinha se exposto mais que o suficiente por uma manhã.
Ergueu-se e deu de cara com a atendente:
- Pois não? (cara de paisagem)
Era já a próxima da fila e solicitou, cheia de soberba:
- Um potinho para exame de urina, por favor.
Pegou o novo potinho e quase saiu correndo, os olhos bêbados a fim de não fitar ninguém da fila.
Ainda pôde ouvir, numa inconveniente e desnecessária solicitude:
- Só para pegar o coletor, não é preciso ficar na fila.

domingo, dezembro 26, 2004

BLOG NOVO DE NOVO

Estou de blog novo: A ESTRUTURA NATURAL e outros temas. O endereço é estruturanatural.blogspot.com. Textos esparsos.

sábado, dezembro 25, 2004

Não queria contar isso não. Até consigo imaginar a Marpessa me passando o rodo depois, questionando a veiculação de "minha vida patética" na rede. Mas, como o fim supremo é a literatura (ai) eis:
Semana passada estava voltando para casa num dia sem nenhuma, mas nenhuma pelúcia. A festa de aniversário do Marcelo seria no final-de-semana e eu, auto-suficiente, que deveria fazer tudo, não tinha ainda feito nada. Tinha muito, muito trabalho na biblioteca e, ficara sabendo que não teria meu contrato renovado.
Bom, indo para casa com a cabeça a mil, acontece o inesperado. Minhas saias são todas muito longas, menos uma, que é muito curta (sou uma mulher de extremos). Meu trajeto para casa é o seguinte: metrô até Itaquera, trem até Guaianazes e trem até Mogi. Pois chegando em Itaquera, eis que a porra da barra da minha saia enrosca nos degraus da escada rolante que começam a puxá-la.
Meu, que desespero constrangedor. A saia sendo engolida pela escada e eu tentando segurar pelo elástico enquanto me abaixava a fim de tentar impedir o inevitável que seria ter a saia abaixada e ficar com o bundão de fora em plena estação Itaquera de trem/metrô. Pensem no absurdo da cena, eu descendo só de blusa (que ainda era curta) e calcinha privativa no meio da estação, desembocando no Poupa Tempo com os botões da saia sendo arrebentados pela escada, enquanto derrubava todas as coisas de minhas sacolinhas porque, é claro, tinha sacolas nas mãos. Foram segundos de pânico.
A minha sorte foi que estava no final da escada e, quando os degraus se desmancharam, terminaram por soltar a minha saia.
Olhei pra trás só pra mostrar bem minha cara para as pessoas que deveriam ter se divertido deveras com meu espetáculo e o tiozinho que estava atrás de mim solta, todo solícito: "nossa, que perigo!" Aposto que estava se mijando por dentro. Merda!

segunda-feira, dezembro 20, 2004

Coisas de mãe do Marcelo - A Vingança

Tem uma loja de quinquilharias importadas em Mogi na qual adoro ir.
Lá tem uma senhorinha oriental de uma nacionalidade a qual não pude ainda identificar, que é LOUCA pelo Marcelo. É muito engraçado. A gente entra na loja, ele pára nos brinquedos e, em cinco minutos, ela já está em cima dele.
Eu sempre fico de longe, pra poder apreciar melhor a cena: ela se abaixa e fica literalmente agarrada nele, falando muito rapidamente dezenas de coisas numa língua estranha e desconhecida.
Aí o Marcelo começa olhar pra mim com um olhar de "Mãe, por favor, tira essa mulher de cima de mim..." e eu, muito da sardônica, olho, risinho de lado, olhos satíricos, com cara de "Se vira, nego. Não é tão gostosão? Segura que a bucha é tua."
Sei que pode parecer um pouco de maldade da minha parte, inda mais depois de declarar meu AMOR todo por ele no outro post, mas é que é tão legal vê-lo uma vez na vida desconcertado.
Hoje ele irá lá com a minha tia, comprar um presente de aniversário com um dinheirinho que o Jú deu pra ele. Não me conformo de perder a chance de ver aquela maluca pendurada nele. E o engraçado é que, além de ficar abraçada e falando um monte, ela ainda fica pondo um monte de brinquedos na mão dele, não deixando-o ver nada do que ele quer. Se marcar, tá até dando algum de presente e a gente não se liga no dialeto.
É, ser um must tem lá as suas inconveniências.

quinta-feira, dezembro 16, 2004

ANIVERSÁRIO DO MARCELLOOO!!!!!

7 anos de sem-vergonhice do homem banguelo mais lindo deste mundo todo.
O Marcelo não é só meu filho. Marcelo foi minha salvação, meu eixo. É meu amigo e
a oportunidade divina de me tornar uma pessoa melhor e ao mundo que me cerca.
É meu acalanto.
Graças a Marcelo,
hoje tenho porquês.
Sinto-me abençoada por ele, minha vidinha, meu Anjo comedor de estrelas...