domingo, junho 19, 2005

Tem dia que de noite é foda

Gostaria de entender uma coisa: ontem fui a uma festa na Divina e dancei muito, mas muito mesmo. Como é de meu costume, retirei meus sapatos e dancei descalça (ato este que me fez chegar em casa com pés de moradora de rua). O problema é que possuo dois hematomas na região central de meu braço direito, arranhões em toda a parte posterior do braço esquerdo e um hematoma muito dolorido e extremamente feio por sobre o cotovelo.
Quaisquer indicações sobre o que pode ter acontecido comigo, é favor me avisar.
Muito grata.

sábado, junho 18, 2005

Coisas de Marcelo

- Professora, você sabe desenhar hormônios?
- ????? Como assim hormônios, Marcelo?
- Hormônios, que vivem no corpo da gente. É que a minha mãe só sabe desenhar leucócitos e vírus...

segunda-feira, junho 06, 2005

Nao sei se este texto eh mesmo de autoria do Verissimo, estou com uma preguica danada de averiguar isso agora, portanto, publico aqui do jeito que recebi (inclusive, sem editar, como bem se pode ver...)

A PESSOA ERRADA Luis Fernando Veríssimo

Pensando bem Em tudo o que a gente vê e vivencia E ouve e pensa Não existe uma pessoa certa pra gente Existe uma pessoa Que se você for parar pra pensar É, na verdade, a pessoa errada Porque a pessoa certa Faz tudo certinho Chega na hora certa Fala as coisas certas Faz as coisas certas Mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas Aí é a hora de procurar a pessoa errada A pessoa errada te faz perder a cabeça Fazer loucuras Perder a hora Morrer de amor A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar Que é pra na hora que vocês se encontrarem A entrega ser muito mais verdadeira A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa Essa pessoa vai te fazer chorar Mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas Essa pessoa vai tirar seu sono Mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível Essa pessoa talvez te magoe E depois te enche de mimos pedindo seu perdão Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado Mas vai estar 100% da vida dela esperando você Vai estar o tempo todo pensando em você. A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo Porque a vida não é certa Nada aqui é certo O que é certo mesmo, é que temos que viver Cada momento Cada segundo Amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo, conseguindo E só assim é possível chegar àquele momento do dia Em que a gente diz: "Graças à Deus deu tudo certo." Quando na verdade tudo o que Ele quer É que a gente encontre a pessoa errada Pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente...

quarta-feira, maio 25, 2005

Madrugada chuva torrencial dois dedos do conhaque usado para fazer o jantar o último cigarro sendo mesquinhamente guardado para a hora em que as lagrimas de dor raiva indignação teimarem em afrontar minha auto-suficiência Radiohead esta necrose foi causada pelo consumo do tabaco escuridão a chuva de hoje não tem cheiro o coração de hoje não tem esperança e os olhos que nunca têm sono atravessam o ipê os fios as janelas os prédios escorrem na própria chuva Exit Music (for a film) mas o filme não se acaba e os atores choram a falta de imaginação do roteirista e repetem as mesmas cenas cada um a um tempo e a tristeza parece não cessar como a chuva "breathe keep breathing" Tom York e chuva e ainda a escuridão e o vazio de não ter "I cant do this alone" o que poderia ter tido a fumaça do último cigarro se esvai pela janela com um rosto pálido triste e anônimo pelo filtro sem esperanças "today we escape"

terça-feira, maio 24, 2005

15h52, acabo de dar três garfadas numa comida fria e insossa. Tudo em mim é frio e insosso...
Minha sorte do dia no Orkut fala maravilhas sobre a minha velhice. Não quero pensar sobre a minha velhice, não quero pensar no que virá. Não me venham falar sobre o depois. Não me peçam paciência.
O que eu quero, eu quero aqui e quero AGORA!

Ah, e antes que eu me esqueça: PAU NO CU DO DIA DE AMANHA!!!!
QUEM ME DIRA?
(Vander Lee)

Para aonde vai uma canção
Depois do acorde final?
Será que se vai,
Que se esvai?
Ou por onde entra, sai?
Onde vai dar um grande amor
Depois do desatar dos nós?
Será que é cinema, poema,
Ou só o fim do retrós?
Qual é o tempo da alegria,
se não for toda manhã?
Homem livre, céu risonho,
Cheiro doce, boca de romã?
Será fantasia, ideologia
Ou filosofia vã?
O que foi feito do meu eu
Depois que o seu me acometeu?
Heterogêneos, misturamos,
Veja só no que é que deu
Quem organiza essa bagunça
Dentro do meu coração…
Que agoniza e não entende
Uma mudança de estação
Pedaço de vida, sou massa falida,
Sou vaso sem flor
Me sopra uma brisa, me pega,
Me toca, me pisa sem dor.
Para aonde vai uma canção
Depois do acorde final?"
CURUMIM
(Djavan)

"O que era flor eu já catei pra dar
Até meus lápis de cor eu já dei
G.I.Joe já dei
O que se pensar eu já dei
minhas conchas do mar

Ah! minha flor
chega de maltratar
O que mais pode agradar a você?
Eu já fiz tudo
cadê que adiantou?
Que louco que é o amor
Tem graça viver?
Quando ele fica de mal
não quer brincar"

sexta-feira, maio 20, 2005

Arco da Velha. Andréa e Arthur relembram suas peripécias da noite anterior na boite gay.

Arthur: Quem era aquela mulher que estava dançando no tambor?

Andréa: Que mulher? Aquela magrinha?

Arthur: É.

Andréa: Aquela que você ficou desabotoando a blusa?

Arthur: (...) ??? Eu desabotoei a blusa dela?

Andréa: rs. Tava ajudando enquanto ela dançava com a gordinha. Não se lembra?

Arthur: (com a cabeça entre as mãos) Não.

Andréa: rs

Arthur: Quem era?

Andréa: A que levou a gente de carro?

Arthur: É.

Andréa: (espantada) Não era sua amiga?

Arthur: (enfático) Não.

Andréa: Pensei que você conhecesse...

Arthur: Não. Você não conhecia?

Andréa: Não. Nunca vi mais fraca de feição...

Vinte segundos de silêncio...

Arthur: Como que a gente foi parar no carro dela?

Andréa: Sei lá. Tudo que me lembro foi que a gente saiu, parou ao lado do carro, começou a conversar e a hora que ela saiu, a gente foi junto.

Arthur: Você não conhecia?

Andréa: Não, pensei que você conhecesse...

Mais alguns segundos de reavivamento de memória.

Andréa: E você ainda foi no banco da frente com ela, rolando a maior idéia.

Arthur: Puta, fui mesmo rs.

Giovana: Gente, na boa, fala a verdade, o que vocês andam tomando?.

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Mesmo dia, algumas horas depois:

Andréa socorre no banheiro a amiga que não consegue vomitar. A fim de resguardar a sua identidade, chamaremos-na de Sra G.
Sra G está debruçada sobre o vaso sanitário. Andréa, debruçada por cima, em seu momento Raposa Matreira, ampara a cabeça (pesada, mui pesada) da Sra G com o braço direito, com a mão do mesmo braço segura a tampa da privada e com a mão esquerda segura os seus cabelos.
Quando começa a tocar Doors...

Andréa: Vomita, vamos.

Sra G: Peeople aare straaannge....

Andréa: Vamos, você consegue.

Sra G: Wheen you are a straaangeeer.....

Andrea: Vomita que você melhora.

Sra G: Youu know the daayyyy

Andréa: Não. Se concentra no vômito...

Sra G: Break on throughhhhhhhhhhh

Andréa: Meu, esquece a música, vá.

Sra G: to the other siiiiideeeeeeeee

Andréa: Pense assim: Jim chapou muitas vezes, e ele sempre vomitava pra ficar bem

Sra G: try to rruun, try to riiide.

Andrea: Para de cantar e vomita, filha-da-puta.

quinta-feira, abril 14, 2005

A moça que tropica

Tenho uma sandalinha de couro marrom da qual gosto muito. Não, tempo verbal errado. Tinha uma sandalinha de couro marrom da qual gostava muito. Também não, porque ainda a tenho, ela apenas não se presta mais às suas funções iniciais.
Enfim, o que acontece é que, caminhando quase que tranqüilamente pelo meu município, levei um belíssimo tropeção, em verdade, dei uma torcida no pé que fez com que a correia de minha sandália se soltasse da sola. Como sou uma mulher muito esperta e adepta dos processos de reciclagem, considerei que poderia prender a correia por baixo da sola, dar uma gotinhazinha de nada de Super Bonder e continuar usando-a porque, com a fivelinha presa ao calcanhar, conseguia caminhar com considerável desenvoltura.
O que não contava era que, já em São Paulo, iria tropeçar de novo. Só que, desta feita, ao invés de soltar a correia de debaixo do solado, consegui partir o solado ao meio.
Agora estou aqui, dividindo minha angústia e chateação com vocês e só pensando se conseguirei chegar “calçada” ainda em Mogi, afinal, são 63 km.
Que o anjo protetor das tropeçadeiras me proteja, que eu mereço.

quinta-feira, abril 07, 2005

Miopia

Estive eu a pensar na diversão de se ser míope.
Sim, porque excetuando-se alguns inconvenientes óbvios, até que é bem divertido não enxergar direito. A gente “vê” coisas que mais ninguém consegue.
Só é ruim quando encontramos pessoas que prazerosamente, tudo me leva a crer, destroem a poesia do não-ver com suas concretizações. Uma vez, por exemplo, saí do banheiro do bar da Gi e da Fabinha Querida toda feliz, dando rodopios e balançando os braços, dizendo “Nossa, que legal. Tem uma borboleta preta no banheiro que ficou o maior tempão olhando pra mim, muito tranqüila. Acho que terei sorte.”. Giovana, como sempre, exercitando o desagrado, arruína minha alegria pueril dizendo (entre risos): “Não é uma borboleta, é um pedaço de saco de lixo.” Eu acho que, sinceramente, não precisava dessa informação.
Estou pensando nessas coisas porque via do outro lado da Av. Paulista umas coisas amarelas penduradas num muro e sempre estive certa de que se tratavam de cachos de banana nanica. Aí hoje precisei caminhar do outro lado e, sem querer, acabei descobrindo que são só umas coisinhas amarelas com números, imagino eu que pra colocar sobre os carros a fim de se facilitar a vida dos manobristas. Não fiquei tão decepcionada como quando do episódio da borboleta (inda mais que a culpa, nesse caso, foi minha) mas penso que a Paulista ficaria muito mais humanizada com bananas penduras nas portarias dos prédios.
Comumente confundo hidrantes com anões. E sacos de lixo (esses cheios), com cachorros e gatos, dependendo de quantos litros o saco seja.
Agora a coisa mais legal, mais mágica, supimpa mesmo, de se ver quando se é míope são as luzes. Elas não ficam só luzes assim concentradas como vocês todos – os de boa visão – as vêem. Elas se espalham, formando grandes círculos iluminados. Quando são coloridas então... Por isso mesmo é que uma das coisas de que mais gosto nessa vida é de pisca-pisca. Por mim, decoração de Natal seria o ano todo. Tudo muito feliz e colorido e piscante. Sou capaz de ficar horas diante de uma árvore. Uma vez, fiquei tão deslumbrada com um que ficava numa sobreloja que tropecei, caí e dei com a cabeça na porta de uma peixaria.
Mas isso não vem ao caso. É, não vem não.

quinta-feira, março 31, 2005

Dêem uma olhada aqui Cinco Contra Um.
Blog novo, coletivo (adoro blogs coletivos), muito bom.
Tem texto meu também como convidada da semana.

terça-feira, março 15, 2005

Crônicas do Caminhar (ou coisas para se pensar quando se é obrigada a andar)

Final de tarde, horário de verão. Estava indo pro trabalho atrasadíssima, pra variar, rogando a deus que me enviasse um ônibus para que se simplificasse um pouco a minha via crucis.
Nisso, passa o meu ônibus preferido, o mais-que-perfeito do transporte coletivo... duas quadras de onde eu estava. Procurei então explicar de novo pra deus, bonitinho, que o veículo deveria estar chegando ao ponto pelo menos junto comigo, senão não adiantaria muito, etc e tal. Estou quase chegando na esquina do ponto, ouço um roncar de motor. Felicidade, expectativa... é ele?!?!?! Paro na esquina, olho; o ônibus lá no semáforo, paradinho, me esperando chegar. Seu ponto final: em frente ao meu trabalho. Só um pequeno detalhe me atrapalharia a felicidade: não aceitava os meus passes.
Vou eu de novo explicar pra deus a diferença entre municipal e intermunicipal, diferenças monetárias, vale-transporte e adjacências, com a maior paciência, tudo muito rico em detalhes, coisa e tal, que era pra ele entender bem do direitinho.
Outro ônibus vira a esquina: “Ah, aprende rápido, heim nego?”
Era o mesmo. Que o outro. O que não aceitava o meu passe. Toda a minha categórica explicação ignorada, lançada às traças celestes.
Aí comecei a xingar, lógico. Que aquilo não se fazia. Que eu não era lá muito devota mesmo mas aquilo também já era demais. Ofendi. Ah, falei mesmo. Falei que pra mim ele não passava de... de um alter ego mal resolvido. Falei que ele não passava de muleta da humanidade.
Puxa, eu PEDI, eu EXPLIQUEI, para que não houvessem duvidas a respeito das minhas preces. E o que “Ele” fazia? Tirava uma onda com a minha cara.
Agora, isso também não poderia ficar assim, porque eu queria, na verdade, eu
EXIGIA um ressarcimento daquele ultraje a que ele havia me feito passar.
Bom, está certo que eu até que estava tendo uma semana muito boa, havia conseguido algumas coisas que de há muito estava querendo, mas não era justo. Sei lá, queria qualquer coisa, ver uma pessoa bonita, uma coxinha com catupiry de verdade, ele que se virasse.
A esta altura do campeonato, no auge das minhas reinvidicações, após ter desistido, inclusive, de tomar um ônibus, passo pela praça. Praça... árvores...é, pois é isso mesmo. Pluft! Bem na minha cabeça. “Oh ira negra que me consome!!”.
Mas seria ou não seria? E a coragem de conferir? Claro, com o senso de humor que o cara tinha, boa coisa é que não poderia ser. Se fosse aquilo, eu iria ficar com a mão toda suja e nojenta, o que só iria piorar a minhas situação. Bom, poderia ser uma frutinha, uma semente meio pesada, sejamos plausíveis.
Andei vários metros com aquela coisa não identificada nos cabelos até que o pânico me dominou: e se fosse... um bicho? Lá, grudado nos meus cabelos, tão perto de mim... Arph!!! Aquela palhaçada já havia ultrapassado todos os limites.
Dei um tapa no cabelo. Senti. Não era aquilo. Menos mal. Mas poderia ter sido um bicho, ah, poderia.
Quase podia ouvir as Suas gargalhadas, divertido que era aquilo tudo.
Estava quase me empolgando e começando a xingar de novo mas considerei ser mais razoável ficar quieta já que Alguém tem uma personalidade que não prima exatamente pelo bom senso.
Depois, ainda reclama que os homens estão perdendo a fé.
Faça-me o favor...

quarta-feira, março 09, 2005

Os Grandiloqüentes Também Amam - capítulo II

OS GRANDILOQÜENTES TAMBÉM AMAM
Una novela de Andréa Muroni e Julio Castro
Participação especial de Marpessa de Castro

No capítulo anterior, Soraya Guadalupe ria misteriosamente, enquanto Carmelita Augusta e Pablo Roberto se desentendiam mais una vez.
Carmelita Augusta, indignada, com os lábios trêmulos, chorosa, mas sem borrar a maquiagem, corre atrás de Pablo Roberto, que se volta, em close.

Carmelita Augusta: Quer dizer então que o senhor acha que yo devo me atualizar no que concerne à la cultura mexicana? Há, Há, Há, Há, Há de novo. Além de torpe, o senhor es demodé. Chispita e Os Ricos tbém Choram estão más do que ultrapassados. Jamás ouviste falar em Beth, a Feia? O em Pedro, lo Escamoso? O, ainda en lo ar, Alegrifes e Rabujos? Atualize-se o senhor, senhor Pablo Roberto. El dia em que, caso os anjos digam amém e iluminem su desditoso caminho, o senhor tiver la grandissíssima honra de confabular novamente com el adorável e belo ser que soy, terá a oportunidade de ver que paira alreredor de mi, la aura magnífica de Guadalajara. Inclusive, pretendo tentar la vida em Puebla ou em Cuernavaca como roteirista. E yo posso saber pq o senhor liga para mim e fala com Fabrícia? Humpf digo yo.

Pablo Roberto: Pudera, Senhora Carmelita Augusta Muroñi, espantar-se com el fatídico gosto no que se refere a cultura pós-moderna e underground mexicana...Las 'pérolas' que descrevestes em su tão erudita confabulación, no passam de meras obras superficiales e 'tennager' para adolescentes sexualmente desafortunadas. Yo esperava mais de usted. Afinal, una senhora que em primeiro momento se apresenta tão nobre e retentora de uno talento verossímil, jamás poderia chamar 'Los Ricos também Choram' de dèmodé y menosprezar la magnífica obra dramática de 'Chispita'. Essas modernidades que acometem la dramaturgia de raíz vindas del México cegaram-na como a milhares de personas. Recuso-me, a partir de ahora, discutir contigo qualquer linha dramática referente à persongem Michelina de la novela 'Jerônimo', las artimanhas idiossincráticas por trás de 'La Cortina de Vidro' e jamé tecerei comentários sobre la metalingüistica empregada em “Mi hijo, mi vida”.
Mas.... (rufam los tambores e lo close fecha, ora em uno, ora em otra)... lanço mão de uno desafio: analise las entrelinhas de la Professora Helena, encontre todas las passagens gnosiológicas e depois venga tentar manter uno diálogo decente comigo!!!! Por hora abro mano de los 'humpfs' já tão clichês em las conversas de nosotros.

Carmelita Augusta, com os ojos rasos d’água, faz no com la cabeça.

Pablo Roberto chega em su casa, bate la puerta, lança-se à cama y deixa cair una lágrima em close enquanto sobe una música latina com a expressão 'mi coracion esta partido' tocada com o violino em escala de lá-mayor.
(continua no próximo capítulo)

domingo, fevereiro 20, 2005

Vou contar uma coisa que pra mim foi realmente traumática.
Estava eu, domingo a tarde, blogando tranquilamente, quando olho para fora do escritório e vejo várias pombas, deveriam ser umas três, placidamente pousadas sobre o murinho da escada.
Fiquei desesperada porque ODEIO pombas e pensei que pudesse estar ocorrendo alguma frente de invasão por parte das mesmas.
Comecei então a gritar por socorro para minha tia que mora aqui atrás. Como sou pessoa infinitamente ingênua, tive esperanças de que pudesse obter ajuda de outrém mas, mais uma vez, a compaixão alheia negou-se a mim.
Pois voltemos aos fatos. Tentei espantar as pombas com gritos e menções à minha falta de amor por elas mas tudo o que consegui foi que elas voassem por todos os lados, adentrando os nossos quartos e pousando em meus tão queridos livros e demais etceteras.
Minha tia então veio ver o que ocorria e me sugeriu subir o vidro da janela do escritório. Ao realizar tal tarefa, entremeada por muitas vociferações, uma delas, em crise histérica, grudou nos meus cabelos o que me fez imediatamente 1) soltar a janela, 2) gritar ainda mais e 3) começar a chorar.
Fiquei abaladíssima, de repente senti-me num remake dOs Pássaros, de Hitchcock, com aquele parasita alado batendo suas asas piolhentas por sobre minhas madeixas.
O auxílio que obtive de minha parenta co-sanguínea foi a título de maior humilhação: ela pediu-me para parar porque estava fazendo xixi nas calças de tanto rir ao que, prostrada, lancei-me ao colchão que me faz as vezes de cama a fim de derramar meu pranto.
As pombas saíram mas passei o resto do dia sentindo que centenas de piolhos passeavam seus germes em mim...

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Estou de luto dos meus sonhos.
Peço licença aos amigos: preciso morrer um pouco pra depois poder nascer de novo.

And

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Impressões sobre a Av. Paulista e imediações

- Quase nunca vejo crianças. Talvez umas três por semana, quando muito. Aqui só tem gente grande, parece;
- Há poucos mendigos pelas ruas; mês passado vi dois dormindo na rua com travesseiros. Sei que a Giovana vai me xingar por isso mas morri de inveja (tanto sono eu tenho...). Tem um que vi duas vezes e que anda com uma gaveta com os seus pertences, incluindo um cobertor. Tem outro que fica na esquina da Maceió com uma placa dizendo que é artista e escreve livros e revistas, pedindo uma ajuda (é uma idéia...). E hoje vi outro que relatarei abaixo;
- NUNCA, mas nunca mesmo, vi um bicho sequer solto na rua. Minha amiga disse que a carrocinha deve passar recolhendo os corpos antes de eu chegar (que maldade). Há apenas alguns donos, mas bem poucos, com cães cheirosos e encoleirados de pet shop. Hoje vi um com um mendigo. Ele estava amarrado com uma corda, sim, uma corda, cheia de nós. Talvez seu nome seja Tiradentes, não sei...
- Não há nenhuma praça onde eu possa me sentar e ler algo tranqüilamente. Pra baixo do final da Angélica há uma rua que faz um balão e tem árvores. Fui passear lá hoje por hora do almoço para arejar minhas confusas idéias e creio ter podido sentir cheiro de frutas.
- Em resumo: por aqui só há prédios, carros, buzinas, fumaça e pessoas apressadas. Muito, muito deprimente para uma pobre poetisa que tanto ama o vento...

sábado, fevereiro 05, 2005

Eu poderia ter morrido.

O Juá, meu namorado, pediu pra eu desligar a caixa de força pra ele poder mexer nuns troços lá em casa. Quando fui ligar de novo, tomei um choque. Na verdade, dois choques. Dois não, três. O primeiro foi o elétrico. O segundo foi quando olhei pra minha mão e vi que ela estava preta. Fiquei tão nervosa, sabem, saí gritando: “Jú, Jú, minha mão tá preta!!!”Assim, depois que olhei direito, vi que só era sujeira, mas e o susto? Uma pessoa não tem mais o direito de se confundir?Acho que era absolutamente plausível que tivesse acontecido pois, todo o mundo sabe que choque preteja, a gente aprende isso desde cedo nos desenhos animados.Daí foi que veio o terceiro choque: meu namorado ficou me tirando, repetindo “Jú, Jú”, com voz de bobeira. Não obtive o apoio dele após um momento de tamanha sofreguidão.Claro que fico um pouco mais tranqüilizada sabendo que era apenas sujeira, mas poderia não ser.Poderia não ser e ninguém iria me consolar...

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

OS GRANDILOQUENTES TAMBÉM AMAM

OS GRANDILOQÜENTES TAMBÉM AMAM
Uma novela de Andréa Muroni e Júlio Castro
Participação especial Marpessa de Castro


No capítulo anterior, Pablo Roberto Caztrió, plantava a semente da discórdia entre as amigas Carmelita Augusta Muroñi e Soraya Guadalupe de Castrón, após Carmelita, num momento de imensa sofreguidão, abrir seu corazón sobre os ciúmes que Soraya, sua amiga quase de infância, andava sentindo.

Pablo Roberto: - Ola amiga Soraya Guadalupe.

Soraya Guadalupe: Ola!

Pablo Roberto: Estive yo a solicitar las ilustres divagações de nossa comum amiga Carmelita Augusta, claro que muy mais sua do que mia, sobre seu ilustre passeio à Bienal de Arte de Guadalajara, quando percebemos que ambos estivemos lá e não vimos nem a metade del negócio!! Grandiloqëntes que somos, exclamamos (crea-me) simultaneamente:- Podemos volver lá qualquer dia desses!!! E pensamos, também simultaneamente (si, eu tengo certeza que pensamos juntos, pena que nosotros não exclamamos para provar):
- A Soraya Guadalupe de Castrón é peça fundamental para tal aventura culturale!!!Sério, acredite!!Portanto, fica el convite! Seria una excelente oportunidade para nos conocermos mejor...Además, fui promovido a Personal-Maniac e así fica a situación mais segura para todos!!!Combinem los detalhes e não fique brava. Yo sempre preferi usted à ela. Você ao menos nunca me passou ninguno trote.(E que isso fique entendido apenas entre nós.)E posso jurar de pé junto que ela nada comentou sobre sua suposta crise de ciúmes!! Palabra!Adyós Soraya Guadalupe de Castrón.

Soraya Guadalupe: Adiós, Pablo Roberto Caztrió

Só que o que Pablo Roberto Caztrió não imaginava, era que Carmelita Augusta Muroñi ouvira toda a sua conversa com Soraya Guadalupe de Castrón. Carmelita surge, por detrás de uma porta, os olhos rasos d´água, as mãos trêmulas, de ombreiras...

Carmelita Augusta: E sempre preferi usted à ela. ????????? E que isso fique entendido apenas entre nosotros ???????????? Faça uno favor, pode me esquecer para todo el siempre.

Pablo Roberto: Oras... seria essa a nossa primeira briga?? Esto tudo es apenas passarinho jornalístico, como diria Mário Prata. Precisamos de unos barulhos de pratos... Algumas ovações lançadas ao arrependimento!!

Carmelita Augusta: Em primeiro lugar, essa no é la nossa primeira briga já que não haverá una segunda. Em segundo lugar, se vossa senhoria quer graça, vá ao circo ou assista ao Chaves, já que es tão fã de la teledramaturgia mexicana. Em terceiro e último lugar, se vossa intenção era me provocar, fique sabendo que el objetivo no foi atingido com sucesso. Não pense que yo esperava algo diferente de uno... maníacozinho.Tengo a dizer que, se tencionava gerar algum tipo de atrito entre Soraya Guadalupe e yo, su tiro saiu pela culatra. Ella, conforme bem sabe, já foi alertada quanto a la torpez de vossa pessoa. Ambas, juntas, já sobrevivemos a la universidade, ressacas, ciúmes e maridos imbeciles. Não es um reles... usted, que irá abalar tão bela, respeitosa y duradoura amistad.No tengo mais absolutamente nada a dizer à vossa vil, sórdida, imoral y indecorosa pessoa. Passe bién Pablo Roberto Caztrió.

Pablo Roberto: No, no, escuta-me. Já que es pra numerar, vambora: Em quarto lugar, yo não soy um 'maniacozinho'. Quantas certezas y quantas verdades verborrajadas nessa información!! O que lhe leva a afirmar tão grave acusação?! Grandiloqüente que soy não admito tal expressão. Maniacozinho, no!!! 'Personal Maniac’ Em quinto lugar... yo nunca intensionei ninguno atrito entre usted e Soraya Guadalupe de Castrón, esta tão tão nobre escritora com um sobrenombre mais nobre ainda! Quem vive lançando-a à berlinda, se no me falha la memória es la senhorita!!!

Carmelita Augusta: Oh!

Pablo Roberto: Si. E más nobre ainda tornou-se agora tal pessoa por ter sobrevivido a universidades, ressacas, ciúmes e maridos imbeciles ao lado de la senhora. No haverá no mundo dengue hemorrágica que a derrube depois dessa!!! Vai para lo céu, a Soraya, sentará ao lado de deus e ainda lhe serão pedidas desculpas por uno coro de anjos regido por nuestra senhora...

Carmelita Augusta: Como ousas?

Pablo Roberto: Cala-te!

Carmelita Augusta arregala os olhos e se encolhe de pavor.

Pablo Roberto: Em sexto lugar, detesto Chaves. No suporto o Chapollim. Prefiro las obras del underground mexicano. Una cosa mais retrô: sou fã de Chispita e colecionar de fotos de los actores de 'Os Ricos Também Choram', além de acompanhar por onde andam todas aquellas meigas criancinhas de lo 'Carrossel'. Por favor, atualize-se, Carmelita Muroñi.E em sétimo e último lugar: vou deixar de ser seu maníaco e me tornar maníaco de la Fabrícia: aquela educada e simpática moça que atende el teléfono todas las vezes que tento falar contigo!!!!! Humpf.

Carmelita Augusta: Oh, no.

Enquanto Pablo Roberto dá as costas para Carmelita Augusta, que queda-se em pranto e sofreguidão, Soraya Guadalupe ri atrás da outra porta.

Soraya Guadalupe: hehehehe Las cosas estão fervendo! Yo até já fui canonizada. hahahahaah!!!!!!Se bem que yo merecia, mesmo, o reconhecimento del Papa. Especialmente por me relacionar tão bién com pessoas estranhas como estos dos. HÁ, HÁ, HÁ, HÁ, HÁ!!!!! Mal posso controlar mi esôfago, de tanto rir.

O que acontecerá agora? Será que Pablo Roberto realmente queria destruir a amizade de Carmelita Augusta e Soraya Guadalupe? Será que Soraya Guadalupe é amiga de Carmelita Augusta, pobrezinha, de verdade? Não percam a resposta para essas perguntas e o espetacular desfecho desta intrigante história de amor e de amizade no próximo post.

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Vida Ferroviária

Hoje não pude me conter e comprei o “Mini Kit Vodu” com 26 agulhas e um passador de linha. Pra dizer a verdade, ainda não sei o que farei com ele porque, apesar de prendada, não costumo costurar muitas coisas.
Mas é legal, tem até uma agulha redonda.
Fiquei pensando no que é que se pode fazer com ela mas essa é uma consideração que acho que é melhor que eu guarde comigo mesma...
Não sei o que acontece entre mim e o tempo: quanto mais cedo eu saio, mais atrasada eu chego...
Aí fica aquela sangria: pega trem, pega outro, pega metrô, desce, sobe, desce, sobe, desce, Andreinha esbaforia, toc toc toc, deixando vários centímetros do salto pela Av. Paulista, toc toc toc.
Ave-Maria,. Assim a pessoa se estressa!